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sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Tropeços do gigante

Há quase dez anos, em uma aula de história, o saudoso professor Neotti comentou que brasileiros brigavam entre si por futebol, quando poderiam brigar por política. Eu diria que isso está começando a acontecer.
Pouco mais de vinte anos atrás, o presidente Collor sofreu impeachment e os brasileiros precisaram dar novas chances às eleições. Em nosso país, voto direto é relativamente recente e ainda estamos amadurecendo em relação ao seu poder e às suas consequências. Estamos aprendendo a escolher representantes, a nos atentar a denúncias e a decifrar as estratégias de propaganda empregadas pelos candidatos.

Quanto ao saber votar ou não... Afinal, quem sabe votar? O que define o saber votar ou não? Grau de escolaridade? Conhecimento sobre leis, direitos e deveres? Vivências nos períodos de gestões anteriores? Pergunto-me se há alguém que se sente plenamente confiante no momento de selecionar um indivíduo, com o qual o único contato são as propagandas (muito bem planejadas, incluindo crianças cantando, discursos ensaiados e todos os recursos possíveis para persuadir o eleitor) para administrar valores financeiros altíssimos, fazer concessões e contratos, traçar novos caminhos para a nação. Nação em que muitos anos serão vividos, sonhos serão batalhados e descendentes serão deixados. Consequências de uma administração de quatro anos podem ser eternas.  Será que entregaríamos nosso próprio salário ou nossa casa nas mãos de alguém que conhecêssemos tão pouco e de forma tão artificial? Por que, apesar de toda a desconfiança que a convivência em sociedade desperta, nos permitirmos confiar tão facilmente em personagens criados pelos partidos?

Personagens que muitas vezes não têm nada muito bom a oferecer, somente os consideramos uma alternativa “menos ruim” em relação ao seu oponente. E muitas de nossas convicções são estruturadas em notícias tendenciosas e no desconhecimento quanto a vários assuntos. Eu, como estudante da área da saúde, percebo o quanto ainda precisaria aprender para poder exercer minha profissão. Além disso, não tenho experiência em gestão, portanto não me sentiria segura em opinar sobre investimentos, mesmo na área da saúde. Então, o que dizer sobre economia, na qual não tenho nem parte de uma formação acadêmica? Vou confiar nas análises apresentada em jornais e revistas? Se há divergências até entre meus professores da área médica, apesar de tantos artigos publicados, diretrizes e evidências, como não haveriam entre especialistas da economia, quanto a situações atuais, anteriores e até previsões para os próximos anos? O mesmo se aplica à educação, infra-estrutura, segurança pública e tantos outros setores a serem trabalhados pelos governantes.

Ademais, não tenho experiência no exercício de um cargo político. Não sei o que é lidar com a pressão da imprensa ou de apelos populares, conter greves ou negociar com colegas parlamentares. Como posso criticar a atuação de um parlamentar? Posso me pautar em leis e no pouco de informações que chegaram a mim quanto aos seus direitos e deveres. Porém, tudo isso é ínfimo diante de tudo o que compõe a realidade política. Somos todos passíveis de manipulação? Acredito que sim.

Creio que seja muita presunção afirmar que outra pessoa “não sabe votar” só porque seu posicionamento nas urnas foi diferente do meu. Não julgo o medo de perder benefícios adquiridos, pois qualquer um teria medo de perder aquilo que melhorou sua qualidade de vida. Também não critico a rejeição de quem discordou de medidas do governo, especialmente aquelas relacionadas à sua atuação profissional. Todos têm o direito de escolher o que parecer melhor para si. Porém, ao “votar por conveniência”, é incoerente condenar quem também “vota por conveniência”, mas prefere outro candidato.

Apesar de tantos questionamentos, sinto-me otimista. Como disse no começo do texto, os brasileiros estão mais interessados em política. Para mim, o "gigante acordou" sim, mesmo que tenha preferido ficar em casa por medo do confronto com a polícia, ou do encontro com manifestantes mais "enérgicos". Ele só está um pouco sonolento e começando a processar a realidade ao seu redor. É ainda muito inexperiente para tomar suas decisões de forma mais sábia e dará alguns tropeços até estabelecer um rumo mais esclarecido e confiante. Mas está desperto, disposto e barulhento, como um bebê que acaba de acordar.


domingo, 20 de novembro de 2011

Melanina cultural

A escravidão foi parte da cultura de diversos povos, que assim puniam devedores e prisioneiros de guerra. Em relações ecológicas, algumas espécies praticam o esclavagismo, como ocorre quando formigas aprisionam um pulgão. No Brasil, apesar da persistência do trabalho escravo em algumas circunstâncias (mesmo com a proibição legal), o exemplo mais marcante da prática foram os trabalhos forçados dos africanos que aqui chegaram. Muitos não aceitavam as condições impostas, tentando a fuga daquela situação até por meio de suicídio. Os que conseguiam escapar "com vida" mudavam-se para os quilombos.

Em 20 de novembro de 1695, foi morto nas proximidades de Recife o líder quilombola mais famoso da história brasileira: Zumbi dos Palmares. A data tornou-se o dia da consciência negra. Ao contrário do que muitos pensam, Zumbi não foi o fundador do Quilombo dos Palmares: a comunidade teria surgido com o líder Ganga Zumba. Sua liderança foi passada à Zumbi quando os integrantes recusaram-se a aceitar um "acordo de paz" com a coroa portuguesa, ao qual Ganga Zumba quis aderir. Zumbi discordou e seus colegas o escolheram para comandar o quilombo.

Alguns historiadores afirmam que no quilombo todos eram livres, estando entre eles índios e brancos de baixa renda. Outros dizem que havia escravos no próprio quilombo, sendo Zumbi resistente apenas à própria escravidão, tendo perseguido negros que se recusavam a permanecer no quilombo. Mas a maioria concorda quanto à sua atuação contra as constantes investidas militares na região, sendo o líder figura fundamental para a preservação daquela comunidade. Portanto, tornou-se símbolo da resistência negra e da luta pela liberdade.


Monumento em homenagem a Zumbi, no Rio de Janeiro.

Quase um século após a morte de Zumbi ocorreu a Revolução Haitiana, que determinou a independência e (conseqüentemente) a abolição da escravidão no Haiti, pois a população era predominantemente escrava. A batalha na colônia de Saint-Domingue, que culminou no rompimento com a coroa francesa (metrópole), fez do Haiti o primeiro país governado por afrodescendentes.



Quase cem anos depois, em 1888, o Brasil decretou o fim do trabalho escravo. Leis anteriores surtiram pouco efeito, pois eram incoerentes com a realidade vivida pelos negros: a Lei do Ventre Livre, de 1871, libertava recém-nascidos, mas mantinha seus pais escravos. A Lei dos Sexagenários, de 1885, libertava escravos com mais de 60 anos. Pouquíssimos atingiam a faixa etária e se atingissem, não teriam condições físicas de trabalhar pelo próprio sustento. O Brasil foi a última nação ocidental a abolir a escravidão.

Mesmo após a libertação dos negros, havia políticas que tratavam-nos como pessoas inferiores. A Revolta da Chibata, ao final de 1910, partiu de afrodescendentes da marinha brasileira, contra castigos corporais. Em 1948, foi adotado na África do Sul o Apartheid, que negava aos não caucasianos a presença em determinadas escolas e hospitais, além de dividir o espaço público entre áreas para brancos ou negros (Lei de Reserva dos Benefícios Sociais). Surgiram também leis de proibição de casamentos mistos (inter-raciais), áreas de agrupamento (definia locais em que determinadas etnias poderiam fixar-se). Criou-se a classificação dos afrodescendentes como "bantus", eliminando sua cidadania sul-africana e oferecendo-lhes um sistema educacional diferenciado (incentivo ao trabalho braçal).

Nelson Mandela foi ativista contra o Apartheid. Foi condenado à prisão perpétua, por recusar-se a abandonar suas reivindicações. Foi liberado após 28 anos de reclusão, por pressão da internacional. Foi convidado a integrar o Congresso Nacional Africado e posteriormente eleito o primeiro presidente negro sul-africano.



Contemporânea a Mandela foi a costureira Rosa Parks, negra que se recusou a ceder seu lugar no ônibus para um homem branco, em dezembro de 1955, nos Estados Unidos. O episódio teve grande repercussão e foi o ponto de partida para o manifestações anti-segregacionistas. O pastor Martin Luther King Jr concordou com a atitude de Rosa e passou a pregar, em seus sermões, o amor ao próximo e a não violência como formas de inclusão étnica. É freqüentemente lembrado por este discurso:

http://www.youtube.com/watch?v=yCLCyvF9p7g&feature=player_embedded

Ainda que não inteiramente realizado, seu sonho foi base para a recente realidade de muitos. Em constante transformação, como as células humanas, incluindo os melanócitos (produtores de melanina, pigmento que escurece a pele para protegê-la da ação de raios solares). A secreção em questão torna-se visível externamente, ao contrário de muitas no organismo, que teriam muito mais motivos para serem alvos de atenção. Tão insignificante nas relações humanas, não deveria ser a causa de tanto sangue e lágrimas derramadas. Somos todos da mesma espécie. Mas alguns se mostram mais evoluídos, por sua coragem de superar obstáculos impostos pela ignorância e a falta de altruísmo.

domingo, 25 de setembro de 2011

O Bom e Velho Rock in Rio

Nasceu no Rio de Janeiro em 1985 e teve como berço a Cidade do Rock, construída em Jacarepaguá para receber o evento. O palco montado era o maior do mundo e a Cidade do Rock abrigava lojas e lanchonetes. Sua repercussão deve-se ao fato de que, antes de sua existência, grandes astros do rock internacional não costumavam vir à América do Sul. A ideia era permitir que o público latino pudesse ver de perto os ídolos e apreciar "o bom e velho rock n' roll". No festival, estiveram a australiana AC/DC, os ingleses de Iron Maiden , Queen , Whitesnake, Yes, Rod Stewart e Ozzy Osbourne. Da Alemanha, vieram os Scorpions e dos Estados Unidos, James Taylor. Os brasileiros participantes foram os cariocas do Barão Vermelho (ainda com Cazuza) e Os Paralamas do Sucesso, além de Ivan Lins e Pepeu Gomes.



Após o festival, o berço do "Woodstock carioca" foi demolido, por ordem do governador vigente, por motivo de reintegração de posse. A segunda edição aconteceu no Maracanã, há vinte anos. Entre artistas do exterior, predominaram os norte-americanos, com a presença de Guns n' Roses, Faith no More, Megadeth , Queensrÿche e a cantora Debbie Gibson. O rock inglês foi representado pelos grupos Judas Priest, Happy Mondays e os cantores Billy Idol e George Michael. Os noruegueses do A-ha e os brasileiros Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Lobão somaram-se às bandas Engenheiros do Hawaii, Sepultura e Biquíni Cavadão. Naquela ocasião, a apresentação do New Kids on the Block causou polêmica entre os fãs do "rock de verdade".



Dez anos depois, a terceira gestação do Rock in Rio contou com a construção de uma nova Cidade do Rock, no mesmo espaço em que foi fundada a anterior. Adotou-se o slogan "por um mundo melhor" e surgiu a proposta de apresentações simultâneas, em ambientes distintos, nas tendas "Brasil" (para artistas nacionais), "Eletro" (com música eletrônica), "Raízes" (de música africana) e "Mundo Melhor" (de música internacional). Na abertura do festival houve três minutos de silêncio, representando um pedido de paz mundial. O evento tornou-se fonte de recursos para projetos educacionais da Unesco em comunidades cariocas, além de incentivos ao desenvolvimento de estratégias para a preservação ambiental.

Na terceira edição, a polêmica em relação aos convocados para tocar foi maior, pois integravam a lista Sandy & Júnior, Ivete Sangalo, Britney Spears e Carlinhos Brown (o qual foi alvo de vaias e garrafas d'água).



Este ano, a cantora baiana Claudia Leitte também não foi bem recebida pelos roqueiros. Vaias e gestos obscenos partiram da platéia quando a artista instigava o público a participar de uma coreografia. Talvez alguns perguntem-se: se não estão gostando, por que não se retiram do ambiente próximo ao palco? Simples: por se tratar de um festival, os shows ocorrem em seqüência e a "vaga" próxima ao palco deve ser guardada por quem desejar ver mais de perto o músico que se apresenta no show seguinte. Ausentar-se nas apresentações indesejadas pode ocasionar a perda de um lugar "precioso" para ver o ídolo. Para os menos resistentes, apresentações "desagradáveis" são úteis para ir ao banheiro (cuja fila dura quase um show inteiro) e aos locais de venda de alimentos.

Questiona-se nome do festival, que deveria ter apenas apresentações de rock. Sugere-se a criação de outros festivais, nos quais os músicos "não praticantes do rock" possam tocar. Mas apesar das discussões, a qualidade da performance de artistas consagrados é inegável. Impressionante como mesmo os mais velhinhos mantêm um padrão de agilidade e força na manipulação dos instrumentos musicais. Há artistas como o baixista Flea (da californiana Red Hot Chili Peppers), que além de executar com perfeição as músicas da banda, dançam vigorosamente no palco. Os bons shows com certeza justificam as horas de espera.



O Rock in Rio já ocorreu em Lisboa e na edição deste ano buscou-se um aumento da segurança para os participantes. A organização proibiu a entrada com caixas, isopores, capacetes, skate, patins, guarda-chuva, jornais ou revistas, bandeiras, faixas e bebidas alcoólicas. Não são permitidas câmeras fotográficas profissionais ou equipamentos de filmagem. Recomenda-se o porte de filtro solar, óculos escuros, boné e capa de chuva. Menores de catorze anos devem estar acompanhados dos pais ou responsáveis. Os portões ficam abertos das 14 às 4h e somente nesse período pode-se permanecer no local.

Para os que, como eu, não poderão desfrutar da música ao vivo, cabe assistir ao evento com mais segurança, no conforto do lar, via televisão ou internet (alguns sites realizam a transmissão em tempo real). E torcer não só por um mundo melhor, mas também pelo sucesso do evento e performances memoráveis.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Dia Mundial do Rock

Para mim e tantas outras pessoas, todo dia (ou quase) é dia do rock. Mas a data de hoje é uma alusão há um evento ocorrido em 1985, o Live Aid, organizado por Bob Geldof. O cidadão em questão tinha uma vida "confortável", até que um dia, às vésperas do Natal, assistindo à TV em sua casa, viu um documentário sobre a situação de grande parte do povo africano. Perguntou-se "Do they know it's christmas?" ("Eles sabem que é Natal?"). A partir daí, passou a dedicar-se à causa social, usando o rock como forma de chamar a atenção do público e arrecadar fundos. Com maior repercussão, o evento foi repetido em 2005, denominado Live 8, instituindo em 13 de julho o dia mundial do rock. Convenhamos que um aniversariante de mais de um quarto de século é digno de homenagens.



Bem mais antigo, o rock surgiu no final da década de 40, pós segunda guerra mundial, possivelmente uma resposta agressiva a um sistema ou uma tentativa de politizar e conscientizar os jovens. Influenciada por música clássica, jazz, blues e música country, o rock seria uma forma menos "dramática" (do blues) e mais "dançante" (que o jazz) de expressão de idéias "revolucionárias", ou tradutoras do comportamento e das necessidades dos jovens. Apesar de toda a fama dos Beatles e do título de "rei do rock" de Elvis Presley (perdido em 2007 para Freddie Mercury, vocalista do Queen, em pesquisa realizada pela revista inglesa "Q"), o rock surgiu por meio de artistas (relativamente) pouco conhecidos: Chuck Berry (autor da máxima: "por que os jovens gostam de rock? Porque os pais não gostam, é claro!")...

Chuck Berry - Johnny B. Good
http://www.youtube.com/watch?v=Kew3Xx6e8-I&feature=related

E o ainda menos conhecido Little Richard, que como muitos negros americanos, teve sua iniciação no meio artístico com a música gospel. Era o terceiro de doze filhos e já em sua adolescência começou a se interessar por blues.

Little Richard - Long Tall Sally
http://www.youtube.com/watch?v=QFL047fmsgg

O estilo musical surgiu nos subúrbios estadunidenses. Aliado às questões raciais que permeavam a mentalidade da época, esse foi mais um fator para que o rock não fosse tão bem aceito inicialmente. "Suspicious minds" ("mentes desconfiadas") impediram o sucesso imediato dos artistas e a popularização do ritmo só ocorreu nos anos 50, com a ascensão de Elvis Presley, o "bonitão" polêmico, pois "dançava como negros".

Elvis foi descoberto por acaso. Chegou a atuar no exército e a trabalhar como caminhoneiro. Certa vez, para presentear sua mãe, gravou um compacto em que cantava. O responsável pela gravação interessou-se pelo rapaz e convidou-o para gravar mais músicas, incluindo as dos "pais do rock".

Elvis Presley - Blue Suede Shoes
http://www.youtube.com/watch?v=Bm5HKlQ6nGM



A década seguinte trouxe ao mundo o quarteto mais famoso de Liverpool: The Beatles. Poderia ser uma "boy band" qualquer, não fosse a qualidade de suas músicas, respeitadas até hoje de forma quase unânime. A "beatlemania" chegou a ter mais impacto que o sucesso de Elvis. Os rapazes cantaram por todo o mundo e chegaram a fazer adaptações de suas músicas.

Adaptação de "She Loves You" em alemão ("She Liebt Dich")

http://www.youtube.com/watch?v=Y4WXHpkKkDA&feature=related

Paul McCartney continua ativo, como músico e ativista. Como ele, outros "veteranos do rock" ainda fazem sucesso:

O também inglês e nascido na década de 60, The Rolling Stones.



Apenas Mick Jagger (vocalista) e Keith Richards (guitarrista) são da formação original da banda. "I'm too old for rock 'n roll, but I like it" ("sou muito velho para o rock n' roll, mas gosto", já dizia a letra de "I Like It", da mesma banda).

E os "sobreviventes" do glam rock (do qual fizeram parte os britânicos Mick Hucknall, vocalista do Simply Red, e David Bowie)...





A Banda de hard rock nova-iorquina "KISS".

Talvez mais conhecida pelo visual que pela produção sonora, a banda conseguiu manter o anonimato, apesar do sucesso, devido ao uso de maquiagem "pesada", a qual foi inspirada em preferências e características de cada um dos músicos: Paul Stanley (vocalista, guitarrista rítmico e fundador) desejava ser um astro do rock, portanto adotou uma estrela. Gene Simmons (baixista, vocalista e o outro fundador) gostava de filmes de terror e preferiu uma aparência "assustadora". Os demais integrantes entraram na banda por um "processo seletivo" (entrevistas). Segundo relatos, Ace Frehley tentou furar a fila e estava tão "maltrapilho" que só não foi confundido com um mendigo porque portava uma guitarra. Teve sucesso na entrevista e conseguiu "vaga" como vocalista e guitarrista solo. Por seu comportamento "disperso" e distraído, escolheu "produzir-se" como "Space Man" ("homem do espaço"). O baterista Peter Criss foi aceito por concordar com a proposta de aparecer no show em trajes femininos, se lhe fosse pedido. Por gostar de felinos, escolheu o visual de "homem gato" (Catman). As apresentações do grupo incluem "pirotecnia" e efeitos especiais, além da aparição da língua de Gene Simmons.

No Brasil, bandas como Titãs e Capital Inicial abandonaram seu estilo punk dos anos 80, para uma produção sonora mais "popular" no fim dos anos 90.





A ascensão do rock nacional, nos anos 80, foi uma resposta ao período da ditadura. Oposta aos hits "comportadinhos" da Jovem Guarda, surgiu a cena punk no rock nacional. "Garotos Podres", "Plebe Rude" (com o hit "Até Quando Esperar?"), Vírus 27, Lobotomia, Cólera tornaram-se conhecidos. Houve também o rock menos "underground", que (talvez por não vir tão "de baixo", conseguiu ascensão mais rápida) teve maior aceitação do público, composto por Ultraje a Rigor, Barão Vermelho (com Cazuza), Legião Urbana e Os Paralamas do Sucesso.

E como disse Ozzy Osbourne, "enquanto houver jovens revoltados, haverá rock". Seja ele punk, hard, progressivo ou de outra vertente. Happy rock? Esse eu prefiro não chamar de rock, pois é destituído do caráter subversivo e de politização do gênero. "Tocar Raul" ou tentar driblar "something in the way" ("algo no caminho") para ouvir Nirvana pode ser uma alternativa. Mas para não "viver do passado", é preciso buscar inspiração e "novidades sonoras", como tão bem fizeram Little Richard e Chuck Berry.

sábado, 9 de abril de 2011

Freud Explica



O texto de hoje é sobre um de meus "velhinhos" favoritos: Sigmund Freud. Pouco sei sobre sua personalidade ou a forma como tratava seus semelhantes, mas admiro suas idéias sobre psicanálise e o comportamento humano.
Sigismund Scholmo Freud nasceu em seis de maio de 1856, em Freiberg, território austríaco na época e hoje pertencente à República Tcheca. Sua mãe foi a terceira esposa de seu pai e Freud tinha nove irmãos, sendo ele o primogênito do terceiro casamento. O casal tinha origem judaica e a família viveu em Leopoldstadt, bairro judeu vienense.
Ao ingressar na faculdade de medicina da Universidade de Viena, dedicou-se à pesquisa, especialmente em anatomia e histologia do cérebro humano.
Em 1877, mudou seu nome para Sigmund Freud. Dois anos depois, prestou serviço militar obrigatório e começou a fumar. Em 1881, graduou-se em medicina. Passou a trabalhar no Hospital Geral de Viena, onde investigou efeitos terapêuticos da cocaína, que naquele período era uma droga relativamente desconhecida. Posteriormente trabalhou em Paris com o psiquiatra Jean-Martin Charco, que estudava efeitos da hipnose no tratamento de pacientes com histeria.
Freud casou-se em 1886, ano em que foi publicado "Estranho Caso de Dr. Jekyll e Sr. Hyde", do escocês Robert Louis Stevenson, cujas idéias assemelhavam-se aos padrões de consciente e inconsciente que Freud formularia pouco tempo depois.




Sigmund e sua esposa tiveram seis filhos. Anos depois, a filha mais nova do casal também se dedicaria à psiquiatria.
Ao publicar "Estudos Sobre a Histeria", usou pela primeira vez o termo "psicanálise", que foi definido por uma de suas pacientes como "cura pela fala". O médico observou o alívio de sintomas quando pensamentos mórbidos a eles associados eram relatados pelos pacientes em análises.


Evolução


Em 1897, Freud criou o termo "complexo de Édipo", definido como amor ao genitor do sexo oposto e ódio ao genitor de mesmo sexo. Dois anos depois, publicou "A Interpretação dos Sonhos". Em 1902, formou-se a Sociedade Psicanalítica, composta por intelectuais judeus. Três anos depois, em Três Ensaios de Sexualidade, teorizou sobre a sexualidade infantil (acreditava-se até o momento que as crianças não apresentavam sexualidade) e os três estágios de desenvolvimento da sexualidade humana.



O primeiro "não-judeu" a ser admitido no grupo foi o protestante Carl Gustav Jung, que junto a Adler, tornaria dissidente de algumas das idéias de Freud.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Idéias na Cabeça

A cabeça abriga suas idéias, não só do lado de dentro dela. O corte da cabelo pode representar ideologias e já foi símbolo de status em antigas sociedades. E ainda que não tenham a força (teoricamente) contida nos fios de Sansão, seus cabelos podem ser um diferencial e uma forma de identificar você (tanto entre as demais pessoas quanto permitir que você seja reconhecido por alguns idéias).
Cabelos crescem aproximadamente vinte centímetros por ano e são alvo de modificações quando se quer "mudar o visual", estar adequado a algum evento ou (não exatamente quando se quer, mas não se recusa a) participar de um trote universitário. Conta-se que desde os tempos da escola de Ulm (antiga escola de design, em Ulm, na Alemanha) havia a tradição de deixar carecas os calouros do sexo masculino.
Ficar careca sabendo que o cabelo vai preencher novamente o espaço por ele deixado já é desagradável, segundo os "calouros burros" com os quais tive contato logo após a tosa "oferecida" pelos veteranos. Mas e quando se percebe que os fios antes abundantes começam a ficar escassos? Para evitar a calvície, egípcios passavam gordura de animais (jacaré, cobra e outros) sobre o couro cabeludo (algo nojento até mesmo para a cerimônia de recepção aos calouros, citados anteriormente). O imperador Júlio Cesar teria desenvolvido uma fórmula que continha gordura de urso, vísceras de veado e ratos queimados.



Perucas surgiram pela necessidade de proteção contra o frio, em algumas regiões, e posteriormente não foi acessório usado apenas pelos homens: Em Roma, mulheres que desejavam ser loiras eram adeptas da peruca. No período monárquico, cabeleira farta era indicativo de poder. Por questões de higiene e praticidade, optava-se por perucas. Os primeiros modelos eram feitos de crinas de cavalo e bode. Luís XIV, rei da França entre 1643 e 1715, possuía mil perucas. Seu sucessor contava com uma equipe de cerca de quarenta profissionais responsáveis pela produção de suas perucas. A Revolução Francesa foi responsável pelo rompimento com antigos costumes da nobreza e o uso desses acessórios diminuiu. Porém, em outros países, a moda persistiu. Líderes do governo americano foram adeptos e até julho de 2007, perucas eram obrigatórias para profissionais da área jurídica em tribunais ingleses.

Em 1918, a estilista Coco Chanel lançou o corte que levaria seu sobrenome.



Entre os rapazes, tornou-se popular o topete do Tintin, criado para dar um ar mais "aventureiro" ao personagem.




Nos anos 30, os cabelos cresceram um pouco mais. Penteados como o cabaret (semelhante ao da Betty Boop), mais elegante e sem volume, e moon drop, para mulheres "doces, porém decididas", eram sucesso.




Os anos 40 foram marcados pela guerra e havia dificuldade em encontrar cabeleireiros. Mulheres optaram pelo uso de lenços e preenchimento dos cabelos com cachos.

Em 1947 surge o "New Look" de Christian Dior e os anos 50 trouxeram de volta a "feminilidade" e o "luxo". Os cortes eram mais curtos, com franja ou mecha caída na frente do rosto, para um ar mais "juvenil". Não havia mais a escassez de cosméticos do período de guerra e tinturas, alisadores e fixadores tiveram seu auge. Coques e rabos-de-cavalo tornaram-se populares.



Os anos 60 trouxeram o estilo "diva", com cabelos mais longos e volumosos, com franja. O visual em questão era chamado "moon girl", com roupas e acessórios (ligeiramente) semelhantes aos espaciais. No Brasil, uma das adeptas era Wanderlea, da Jovem Guarda. Brigitte Bardot preferia o estilo "sexy", com coque e mechas caídas no rosto. Havia também o London Swing (usado pela Mulher Maravilha) e o Chelsea Girls.





Com a beatlemania, também nos anos 60, rapazes imitaram os beatles nos cortes de cabelo.



Salsicha, do Scooby-Doo, nasceu em 1969 e aderiu.




O black pride ("orgulho negro") surge em 1967 e lança a moda do black power.



O rastafarismo nasceu na década de 20, mas a popularização de dreadlocks (ou rastafári) ocorreu apenas em 1979, após sua aparição em um filme. O rastafarismo não permite que os cabelos sejam cortados ou penteados e estes ficam com a aparência dos dreadlocks.





A moda hippie ganhou força nos anos 70, após Woodstock. Os cabelos eram expressão da liberdade incentivada pelo movimento e portanto não havia "obrigação" de penteá-los ou cortá-los. Flores enfeitavam as cabeleiras, talvez na tentativa de simbolizar o "paz e amor".



Nessa década, homens "não-hippies" aderiam à moda do topete e brilhantina.



O movimento punk adotou o corte de cabelo moicano, em referência aos índios moicanos: estes preferiam a morte à dominação pelo homem branco e o movimento punk é baseado na oposição à "dominação" pelo sistema vigente. O moicano é normalmente "penteado" em leque (fios "unidos", como em uma crista) ou spike (cabelo "dividido" em "espinhos").







Nos anos 80, estiveram na moda as permanentes, amplamente divulgadas pela TV. Em contraste com os cabelos volumosos, nessa década o movimento skinhead teve suas primeiras manifestações no Brasil. O termo skinhead é uma alusão à cabeça raspada.





"Short hair removes obvious feminity and replaces it with style" ("cabelos curtos substituem a feminilidade óbvia por estilo"), disse Joan Julian Buck, em 1988. E a liberdade de estilo imperou nas décadas seguintes. Nos anos 2000, a tendência emo conquistou pré-adolescentes.



Em 2002, o pentacampeonato da seleção brasileira difundiu o corte de cabelo de Ronaldo Fenômeno. Talvez uma homenagem ao Charlie Brown... Ou uma forma de ter cabelo na posição em que os calvos não têm.





Anos depois, a moda colorida trouxe de volta os exageros cromáticos da década de 80 e o corte "punk sertanejo" usado por duplas no começo dos anos 90.





Há espaço para todas as tribos e você é livre para se expressar. Mas ao contrário dos pensamentos, que ficam restritos à parte interna de sua cabeça (a não ser que você fale, escreva ou desenhe), o "cérebro pelo lado de fora" (definição de moda de Alexandre Hercovitch) ajuda em sua identificação. Esta pode ocorrer tanto por sua tribo e pessoas que tenham gostos semelhantes aos seus quanto por opositores. E o mesmo "comportamento capilar" que agrada a uns pode fazer com que você seja discriminado por outros. E aí a chapa(inha) pode esquentar.